Direito da Saúde

Negaram um medicamento de alto custo?

Quando o tratamento é caro, a recusa costuma ser financeira, não clínica. A prescrição do médico assistente é o eixo da discussão — seja contra o plano de saúde, seja contra o SUS. Cada caminho tem regras próprias.

Onde atuamos

Categorias frequentes em alto custo.

Três grupos concentram grande parte das negativas — sem prejuízo de outros medicamentos e terapias de custo elevado.

Saúde mental

Spravato (esketamina)

Indicado para depressão resistente ao tratamento, aplicado sob supervisão em ambiente assistencial. Registrado na ANVISA, costuma ser negado como fora do rol ou dito experimental.

Discussão típica: cobertura, indicação médica e local de aplicação.
Doenças autoimunes

Imunobiológicos

Usados em artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn, retocolite e outras condições. De uso contínuo e alto valor, são alvo recorrente de recusa por “uso domiciliar” ou fora do rol.

Ex.: adalimumabe, infliximabe, ustequinumabe, secuquinumabe.
Oncologia

Oncológicos

Quimioterapia oral e venosa, terapias-alvo e imunoterapia. A urgência do quadro torna a negativa especialmente grave, e a jurisprudência tende a proteger a continuidade do tratamento prescrito.

Ex.: pembrolizumabe, nivolumabe, terapias-alvo e orais.

O que a lei garante

Dois caminhos, regras distintas.

A via contra o plano de saúde privado e a via contra o SUS seguem fundamentos diferentes. Reconhecer isso define a estratégia.

Contra o plano de saúde

O rol da ANS não é lista fechada

A Lei 14.454/2022 fixou critérios para a cobertura de tratamentos fora do rol da ANS. Havendo prescrição do médico assistente e comprovação de eficácia, a ausência do medicamento na lista não afasta, por si só, o dever de cobertura.

Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor (Súmula 608 do STJ), e a indicação do médico assistente prevalece sobre a recusa administrativa da operadora.

Contra o SUS

Concessão excepcional e com requisitos

No Tema 6 do STF (RE 566.471), a regra geral é que a ausência do medicamento nas listas do SUS impede o fornecimento judicial, independentemente do custo.

A concessão é excepcional e exige requisitos cumulativos que podem ser demonstrados. Nesses casos, a orientação jurídica especializada é essencial.


Como a recusa costuma vir

Os argumentos mais comuns para negar.

Reconhecer o fundamento da negativa é o primeiro passo para respondê-la. Entre os mais frequentes:

01

Fora do rol da ANS

Recusa por o medicamento não constar da lista — hoje reconhecida como referência, e não limite absoluto.

02

Uso domiciliar

Alegação de que medicamento oral ou de uso em casa estaria fora da cobertura.

03

Caráter “experimental”

Classificação do tratamento como experimental, ainda que registrado e indicado pelo médico.

04

Uso off-label

Recusa porque a indicação difere da bula, mesmo com respaldo científico e prescrição fundamentada.

05

Não incorporação pelo SUS

No poder público, ausência do medicamento nas listas oficiais de dispensação.

06

Silêncio ou demora

Ausência de resposta formal dentro dos prazos, o que também pode caracterizar recusa.

Recebeu uma negativa por escrito?

Guarde a negativa, o relatório e a prescrição do médico assistente e os exames que embasam o pedido. Esses documentos costumam ser decisivos para a análise do caso.

O que fazer agora

Passos que protegem o seu direito.

01 Guarde a prescrição

O relatório e a prescrição do médico assistente, com a indicação e a justificativa, são a peça central da discussão.

02 Exija a negativa por escrito

A recusa formal, com a justificativa do plano ou do órgão público, orienta o caminho a seguir.

03 Reúna os exames

Laudos e o histórico do tratamento comprovam a necessidade e, quando for o caso, a imprescindibilidade clínica.

04 Busque orientação

Em quadros graves, é possível pedir tutela de urgência (liminar) para início imediato do tratamento.

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Perguntas frequentes

Dúvidas sobre alto custo.

O plano de saúde pode negar medicamento por estar fora do rol da ANS?+

O rol da ANS é uma referência de cobertura, não uma lista fechada. A Lei 14.454/2022 fixou critérios para a cobertura de tratamentos fora do rol, mediante prescrição do médico assistente e comprovação de eficácia. A ausência na lista não encerra, por si só, a discussão.

O plano pode negar medicamento de uso domiciliar ou oral?+

O argumento de uso domiciliar é frequentemente afastado quando o medicamento integra o tratamento indicado para a doença coberta, especialmente em oncologia. O contexto do contrato e da prescrição é decisivo.

O Spravato (esketamina) pode ser exigido do plano?+

É um medicamento registrado na ANVISA, indicado para depressão resistente ao tratamento e aplicado em ambiente assistencial. Havendo prescrição e indicação do médico assistente, a recusa pode ser questionada. A análise é individual.

Consigo medicamento de alto custo pelo SUS?+

A concessão exige o cumprimento cumulativo de requisitos que podem ser demonstrados. Cada caso exige análise técnica cuidadosa.

E medicamento sem registro na ANVISA?+

A depender do caso concreto e preenchidos determinados requisitos, como a mora irrazoável da ANVISA na análise do registro, é possível obter o tratamento.

O que fazer diante de uma negativa?+

Guarde a negativa por escrito, o relatório e a prescrição do médico assistente e os exames que embasam o pedido. Em quadros graves, é possível pedir tutela de urgência (liminar) para início imediato do tratamento. Cada caso depende da análise da documentação.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui promessa de resultado nem consulta jurídica. Cada caso é único e depende de análise individual da documentação médica e contratual. Em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimento 205/2021.

Quem conduz o seu caso
Letícia Torres, advogada especialista em Direito da Saúde

Letícia Torres

Advogada · OAB/CE 46.012

Advogada dedicada ao Direito da Saúde, com atuação na defesa de pacientes diante de negativas de medicamentos de alto custo, tanto contra planos de saúde quanto contra o poder público. Atendimento em Fortaleza e em todo o Brasil.

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